
Uma iniciativa da Junta de Freguesia da Ajuda, em colaboração com a Unidade de Saúde Familiar da Ajuda, está a transformar a recomendação de praticar exercício físico numa resposta concreta. Os utentes são primeiro avaliados pelas médicas que acompanham o projeto e, em articulação com a professora de Pilates, é definido o trabalho mais adequado a cada pessoa. As sessões decorrem no Pavilhão Multiusos da Ajuda, duas vezes por semana, às segundas e quartas-feiras, às 16h30.
“Tem de fazer mais exercício.”
É provavelmente uma das recomendações mais ouvidas num consultório médico. Mas, depois da recomendação, surge muitas vezes uma pergunta bem mais difícil: que exercício, onde e de que forma?
Na Ajuda, a resposta pode agora passar pelo Pilates.
O projeto resulta de uma colaboração entre a Junta de Freguesia da Ajuda e a Unidade de Saúde Familiar da Ajuda e pretende aproximar a prática de exercício físico dos cuidados de saúde de proximidade.
Mas há uma característica que distingue esta iniciativa: o acompanhamento começa antes da primeira aula.

Duas jovens médicas da Unidade de Saúde Familiar da Ajuda acompanham o projeto e fazem uma primeira avaliação dos utentes, procurando perceber o seu estado de saúde, capacidades e eventuais limitações. A partir daí, e em articulação com a professora de Pilates Sónia Filipe, são escolhidos os exercícios e o tipo de trabalho mais adequados a cada pessoa.
Ou seja, não se trata simplesmente de recomendar exercício. Há uma ligação entre a avaliação feita pelos profissionais de saúde e aquilo que depois é desenvolvido nas sessões.
Carolina Gomes, interna de formação específica em Medicina Geral e Familiar na Unidade de Saúde Familiar da Ajuda e uma das médicas que acompanha o projeto, explica que esta resposta vem preencher uma necessidade sentida frequentemente nas consultas.
“O exercício físico tem grandes benefícios para a saúde física e para a saúde mental. Muitas vezes é fácil dizermos aos doentes que têm de praticar mais exercício físico, mas é mais difícil apresentarmos um plano concreto e acessível.”

É precisamente aí que entra esta parceria.
Durante uma consulta, o médico pode identificar uma pessoa para quem a prática de exercício seja aconselhável e propor a sua participação no projeto. É uma espécie de “receita” de exercício físico, embora, naturalmente, não seja uma prescrição médica no sentido tradicional.
Antes de iniciar as sessões, existe uma avaliação. E essa componente é importante porque, como salienta Carolina Gomes, não existe uma solução igual para todos.
“Tem de ser uma decisão partilhada”, explica. As patologias existentes, as limitações, as capacidades físicas, os interesses e a disponibilidade de cada pessoa devem ser tidos em consideração.
Depois dessa avaliação inicial, as médicas e Sónia Filipe articulam-se para adaptar o exercício às características e necessidades de cada participante.