ab67c004-83f2-45fa-afb5-4758f2a16f27.jpeg

Bailarina, coreógrafa e professora do Ensino Vocacional de Dança

O Festival Corpo.Lx.26 volta a afirmar-se como um espaço de encontro entre diferentes linguagens, gerações e percursos na dança. Entre os seus rostos está Sofia Melo, bailarina, coreógrafa e professora, que vê na educação artística uma missão e no festival um exemplo do que a dança deve ser: aberta, inclusiva e feita de partilha.

Como nasceu a sua ligação à dança?

Cresci numa cidade pequena, onde a oferta de espetáculos de dança era muito reduzida. O meu contacto com esta arte aconteceu sobretudo através das minhas professoras, cuja paixão pela dança me marcou profundamente. Foram elas que despertaram em mim este sonho e me mostraram que a dança podia ser muito mais do que uma atividade: podia ser uma forma de viver e de comunicar.

Com o tempo apaixonei-me pela dança em todas as suas dimensões, mas a componente da educação nunca deixou de estar presente. Depois de concluir a licenciatura na Escola Superior de Dança, percebi que era precisamente esse o caminho que queria seguir.

Hoje dedica-se sobretudo ao ensino. O que a motiva nesta profissão?

O que mais me move é conseguir transmitir aos meus alunos o mesmo entusiasmo que os meus professores conseguiram transmitir-me. Nunca quero esquecer de onde vim e acredito profundamente que a arte deve estar ao alcance de todos.

Felizmente, nos últimos anos tem sido feito um trabalho muito importante para levar o ensino da dança a mais regiões do país, tornando-o menos elitista. Ainda assim, continua a ser nas associações e academias que muitas crianças e jovens têm o primeiro contacto com esta arte.

Naturalmente, a técnica é importante e deve ser ensinada com rigor. Mas a técnica, por si só, não chega. Um bailarino pode dominar todos os movimentos, mas se não conseguir transmitir emoção, dificilmente conseguirá tocar quem o vê. A arte vive dessa capacidade de comunicar e de criar ligação com o público.

O Festival Corpo.Lx.26 parece refletir muitos desses princípios. De que forma?

Completamente. É precisamente por isso que me identifico tanto com este projeto.

O Festival Corpo abre as portas a todos, de forma gratuita, independentemente da idade, da experiência ou da origem. Participam profissionais e amadores, artistas portugueses e internacionais, crianças e adultos. Essa diversidade é uma das suas maiores riquezas.

Mas o festival não é apenas importante para quem dança. Também aproxima o público da dança. Muitos pais, avós, familiares ou amigos vão assistir para apoiar “os seus”, e acabam por descobrir espetáculos profissionais que talvez nunca tivessem ido ver de outra forma. Muitas vezes é aí que nasce o interesse por esta arte.

A partilha parece ser uma palavra-chave na sua forma de entender a dança.

Sem dúvida.

Uma das coisas que mais valorizo é o facto de o Festival Corpo promover o encontro entre diferentes estilos de dança, sem qualquer espírito competitivo. Acredito sinceramente que a arte não deve ser uma competição. Há espaço para todos.

É precisamente na partilha de experiências que crescemos enquanto artistas e enquanto pessoas. Podemos aprender com todos, inspirarmo-nos em diferentes linguagens e descobrir novas formas de olhar para o movimento.

É essa abertura que procuro transmitir diariamente aos meus alunos. Independentemente de seguirem ou não uma carreira profissional, aquilo que vivem através da dança ficará sempre com eles. Porque acredito verdadeiramente que, uma vez bailarino, para sempre bailarino.